Não é necessidade ver esta cidade, camuflada em gentes, olhar e saber que este todo que me rodeia é apenas uma lembrança, é sim, um tormento de palavras.
Deitava-me e eram as letras que me assustavam, as frases que se iam construindo e eu cerrava os olhos ainda com mais força, como uma criança, p’ra tentar não as ouvir.
Nunca foi vingança, simplesmente não te quero sentir, não agora, não por enquanto.
As luzes? Que me queimem, deixo estas folhas serem forma volátil ao ar e em mim. O meu corpo é cada vez mais um copo rachado, onde o “sempre” e o “eu” e o “tu” não são eternidades, mas sim, um momento fugaz.
É frágil toda esta condição, é sentir um terno abismo debaixo de nossa almofada e saber que em qualquer noite o colapso será uma evidência.
Não quero desenhos, imagens ou fotografias, hoje sou tudo menos traço visível.
[Restam-me os silêncios que vou encontrando por ti em todas as noites que és lâmina lacerante em minha caneta...]

1 comentários:
Da tua voz, o tempo já vencido.
Os dedos que me vogam nos (enjeitados) cabelos e os lábios que me roçam pela boca
nesta branda tontura em nunca tê-los...
Meu amor! (sabe tão bem enfatizar!) Que quartos na memória não ocupamos nós se não partimos?!...
Mas porque assim te invento e já te (me) troco as horas.
Vou passando dos teus braços que não sei para o vácuo em que me deixas se demoras...
... Nesta mansa certeza que não vens! Nesta impetuosa incerteza se (não) vou.
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