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Deixo teu aberto sorriso junto ao meu telemóvel. Tenho-o sempre num ruidoso silêncio.[ g ]

Ao meio da noite, acordo. Sóbrio. A cidade tacteia minha face com suas mãos voláteis enquanto eu olho para a inexistente memória de saber a forma que teu corpo toma ocupando minha casa.Acendo um cigarro puxando o peso de meu corpo p'ra berma da cama, eclodem sons, tremem-me as mãos nos momentos que estas letras penduram seus cabelos em teu peito.
Colido com minha alma papel, a marca de tua maquilhagem é imigrante daqui.
Falo-me baixinho - sussurra-me tua voz - só me apetece adormecer ao amanhecer com minhas palavras domesticadas em ti.
[ c ]
Hoje pequei, perdoa-me a ousadia.
Deslizei fios mornos de saliva por teu pescoço, enquanto meus lábios os recolhiam de novo e minha respiração abundava em tua pele arrepiada. Estavas atenta a outra coisa qualquer, de cara séria, o desenho agudo de teus lábios a ofuscar todas as luzes.
Pequei. Um pouco. Eu sei.
[ d ]

Tenho teus cabelos molhados dentro de um livro embrulhado em papel prata.
Uma etiqueta escrita por minha mão: Frágil, tratar com cuidado.
Desculpa-me a caligrafia tremida.
[ a ]
Guardo palavras embriagadas de teu perfume - janelas abertas, espero-te pela noite - apagam-se luzes, abro meus olhos, vejo-te: tua pele pálida entre meus dedos, tua boca aberta [beber de teus lábios], torno-me vadio por teu corpo, teu peito nu encostado ao meu, nossas línguas transformadas em mornas amarras.
Sacio teus lábios de minhas mãos, alimento-te de teu pequeno suor. Tens luas de vidro e teus cabelos cheiram a sol.
Ela olha [ ]
Eu olho [ ]
Ela sorri [ ]
Eu estremeço [ ... ]

Queimo o rosto silencioso de mais uma noite reclusa em mim.Não me conheço entre luzes, acabo as frases na ruína destes becos que nunca conheceram o trago de um amor poeirento.
Fico-me, mãos despidas, enquanto ele a amarra pela cintura e a beija numa troca de saudade construída a um futuro.
Rasgo as minhas asas, colo-as ao cheiro que não tenho, transformo letras nesta bala... esperando um tiro à queima roupa vindo de teus cabelos.
Prendo minha pele, agrafo todos os pedaços descosidos de mim em mais uma folha cerrada por meus dedos. Não tenho construções sonoras claras, sempre beijei o caos de uma caneta enquanto espero ser fricção entre teus lábios.
O som metálico de nossas mãos arrasta-se por entre formas medicadas de vontades.

Ouvi uma voz bagacenta hoje… Era a tua?
Procuro-te por todo o lado.
Beijas-me?
Muito…
Quero aninhar-me em ti.
Em meu peito…?
Sim…!
Dá-me os teus olhos, quero saciar a minha boca de tuas pálpebras. Queimam-me as palavras.
Deita-te comigo.
Abraço-te muito… Cheiro teus cabelos.
Não me dás descanso, não assim.
Queres dançar entre as estrelas que nos mordem a pele?
Quero dançar por debaixo da tua pele… Temos tempo?
Nós somos tempo.
[É eternidade este te saber querer...]

… quero enterrar meus dentes em tuas rosadas palavras. … caíres-me.Ouço peças humanas, fragmentadas, reflectindo a poeira da cega impossibilidade de não sermos mais que olhares.Respiro-te[ entre não me saberes ][ entre não me procurares ]
.São tuas, as algemas: alcançar com a mão uma inquietude que nunca pedi.
[ Predador de ti ] Tua casa a arder, não te abraço, não te beijo, até um dia ela ser cinzas.
Pedro Paixão beija-me as mãos.
Tens olhos de menina.
Tenho minha pele estilhaçada por teu corpo, ainda assombro o teu cheiro pela minha falta de sobriedade.
Quero te amarrar a uma cadeira [ ] lamber teus olhos [ ] cravar meus dentes em tua pele [ ] queimar palavras por entre murmúrios [ ] deitar as roupas pela janela [ ] dançar com tua alma [ ]Latente a forma como me absorves.
Um dia destes...
juro...
que te espanco...
que ligo p'ra telepizza...
que te fecho duas horas na cozinha...
que te roubo p'ra mim...
e que vamos p'ra outra lua.
:)

Deixo de me encontrar, são espelhos e silêncios e partes caóticas que me fazem "eu".
Visto esta distância como farda, por mais que a lave teu cheiro não me sai dela.
Casa: os ecos que reclamam o silêncio que teus lábios nunca conheceram, que nunca te souberam. Inflamo-me com músicas e letras cantadas em surdina.
Respiro por entre teus suspiros, de olhos bem cerrados, ainda os sei tão bem.
Tenho os olhos embaciados por todas as palavras que nunca ouvi de tua língua, e preocupo-me, quando te perco por meu pensamento e não te encontro.
Arrasta-me, pele com pele, por entre chuvas mornas, onde meu corpo será fragmento de uma memória [sabida por Zinco].