Conta-me, ao ouvido, a inocência da noite e das pequenas chuvas que te humedecem o cabelo e os lábios.
Conta-me, um pouco, do mundo que pintas sem saberes que existe, sem saberes que fora de uma janela vives para lá de uma paisagem de cimento e pessoas.
Conta-me, por tuas mãos, a forma frágil em que sorris quando me despes a pele e deixas a minha alma sedenta por teu tom de criança mimada:
- Deixa Satie murmurar mais um ‘cadito pelas paredes o infinito destes cobertores. Quero boca!
Conta-me, como te afundas na evasão dos teus olhos cerrados na almofada de outra qualquer cama, de outro qualquer cheiro, à espera que um beijo te desperte.
Tal como Pedro Paixão escreveu:
“Make me come, Cinderella, make me come.”
Obrigado P.P.!
1 comentários:
"J. ao ver-se nas fotografias que lhe tiraram enquanto pintava, teve mais uma vez a certeza de que não valia nada, nem ele nem o que fazia, de que era um pequeno aldrabão. Bebeu uma garrafa de gin, meteu-se no carro, acelerou a fundo e à segunda curva, com um ininteligível sorriso nos lábios, não virou o volante. Farto de ser o instrumento de uma divindade que dele abusava. J. não acreditou em si até ao dia da sua morte.
Make me come, Cinderella, make me come."
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