quando nos fundimos o Mar junta os seus Pés transformando-se numa Banheira de Porcelana e existe um Gigante um Colosso com membros de Zinco que se aproxima lentamente da Banheira de Porcelana os Pés dele são maiores que os Carros que as Casas que os Prédios Pé ante Pé lentamente com as suas Pernas do comprimento do Céu entra na Água tépida que sobe e sobe ao entrar a Água tépida começa a fervilhar ao entrar a Água tépida vai escorrendo ao poucos gota a gota inundando Praias e Olhares e os nossos Joelhos quando nos fundimos a Pele transforma-se em Pirite a minha Pele Pirite a tua Pele Pirite Pirite que brilha Pirite rugosa Pirite com falhas Pirite que rasga a Pirite transforma-se em Carapaça a Carapaça transforma-se em Escamas brilhantes que chocam que colidem em faíscas metálicas quando nos fundimos não temos Carruagem não temos Cavalos brancos não temos Caminho temos a pressa a pressa de ir a lado nenhum a pressa de ir ao limite dos lençóis a pressa de sermos travados pelas Mãos Mãos que são Âncoras Mãos que são Âncoras cravadas na Terra no nosso cheiro a Terra húmida quando nos fundimos Eu não existo Tu não existes existe o Nós existe o Um existe a mistura é uma soma o Eu mais o Tu igual a Nós podes usar até o seu símbolo dois traços um na Vertical outro na Horizontal juntos coincidentes no centro são dois traços tal como Eu e Tu que se tornam em Um só Soma-me quando nos fundimos as tuas Costas sofrem uma Metamorfose Crisália quando se abre és um Arco quase perfeito as tuas Costas um Arco quase perfeito que cheira a delicadamente a Flores e a Espumante e a Saliva quando nos fundimos deixa de existir a Música deixa de existir a própria noção do que é o Som para o descobrir mais tarde todo o Ruído do Mundo a nascer nos teus Lábios nos teus Dentes a morderem os teus Lábios quando nos fundimos devoro-te por completo devoras-me por completo somos Animais com Dentes afiados e Unhas de Aço famintos pelos lugares que habitamos pelos rastos avermelhados de Carne quando nos fundimos não existe Pontuação não existe Semântica ou Morfologia ou Gramática uma Protolinguagem criada pelas Estradas que o teu Cabelo tapa e entrelaça e destrói quando nos fundimos somos o mesmo Norte somos o mesmo Sul fechados dentro de uma Bússola sem Mãos onde se guardar
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"During the passage past the Charlottenburg Castle Park suddenly the sorrow
GREEN IS THE COLOR OF CALAMITY The trees belong to the dead."
5 comentários:
J.,
Heiner Mueller... nicely done!
Gostei da forma como expões ao mais ínfimo pormenor a fundição de dois seres. Agarras o leitor à escrita sem pontuação, que requer uma leitura contínua, sem pausas, sofrega tal como o devorar de dois seres.
:)
R.,
O Pai do Caro "Der Engel der Verzweiflung".
Letras incendiárias, as dele.
:)
Não sei se concordas, mas, penso que quando dois seres se fundem não existe meio termo, nem termo menor: as palavras surgem a uma velocidade estonteante, criando uma espécie de caos na boca e nas mãos.
Obrigado! Pelas letras e pela gentileza.
J.,
Concordo plenamente.
Foi também por essa razão que disse o que disse.
Captaste bem a sensação. :)
"morder e devorar, fender, ferir... e gritos ou gemidos quais incêndios. O seu significado é evidente mas mete medo."
Fonollosa
"(...) un rito y por lo tanto usamos símbolos. Sabemos el sentido de los gestos y acciones que efectuamos al amarnos."
Claridade.
:)
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