Quinta-feira, Setembro 27

Few Words


Contínuo a pensar em ti…

Os teus olhos são a minha parede, aquele quadro que por lá fica pendurado, acumulando pó destas eras contundentes, o nosso passado…

O que um dia fomos e agora pouco fica…

Por vezes talvez a saudade dos bons momentos, de te fazer sorrir, de brincarmos…

Mas, já não sorriamos, já não sabia quantos Luares escondia o teu olhar…

Fomos aos poucos nos tornando estranhos naquilo que dizíamos saber…

Desconhecidos de uma certeza…

E, após aquele sábado, não saberia mais do que fazer relativamente à incerta existência de um “nós”…

Ficamos por aqui…

Sem um ponto final audível

Sem nada para saber o que será ou não de tudo aquilo a que chamávamos…

… Futuro…

Quinta-feira, Setembro 20

Day After...


"Anónimo disse...

:-))
As pessoas só amam quando um outro ser conquista,...e tu? terás tu conquistado alguém?
Vou esperar resposta aqui :p

27 de Junho de 2007 18:11"



Ecoavam as primeiras notas de Piazzolla pela casa, Adiós Nonino, sentia o piano a crescer por minha alma, até à calmaria da balada e deixava-me… libertava-me de todo eu, tornando-me em algo desconhecido, um suspiro de dias soalheiros pelos quais uma brisa baila gentilmente entre todos os cabelos que se passeiam pelas ruas.

O acorde, aquele brutal acorde dos 2minutos e 51 segundos… e a miragem… Acendia um cigarro, respirando cada nota, cada milésimo de segundo daquela melodia, que me ia exaltando os sentidos!

A memória, a inveja de minhas mãos em tempos passados, teu corpo que se passeava por mim, enquanto todo este panorama no ia invadindo pouco a pouco, a música tornava-se nossa escrava entre pequenas gotas de desejo, transpiravam nossos corações… e morríamos para o mundo, para todo o mundo, ali nada restava a não ser aquilo que sempre desejamos ser… eu… tu… nós!

Renascer depois de ti… depois de conhecer minha génesis, o que resta a não ser renascer sem ti, depois de ti, para sempre sem ti. Vaguear entre os deuses desta casa, embebedar-me de músicas e letras de outros, aqueles pseudo qualquer coisa que nos faziam rir… e lembrar, lembrar de te esquecer, todos os dias, renascendo.

[...]


Restam destroços de corpos à minha frente, meus olhos de outras eras azuis cristal beijam a escuridão deste viajante que se cobre na noite em estrelas e me leva a alma para um amanhã.

Dias passam, os segundos que me suspiram ao ouvido reticências, entre cimentos, o cinzento que me morde esta carcaça repleta de um não saber viver.

Paredes recheadas em letras, olho em meus espelhos, tempo [não me importo que morra neste minutos] que se confunde entre passado e presente, mas qual futuro?

Silenciosamente deixas-me, esperanças jazidas, abres-me com qualquer gesto, afogando-me na velha maré que eu conhecia antes de saber o sentido que fizeste em minhas mãos. Este céu, estas estrelas que bailavam em nossos braços, o quanto elas gostavam de se passear entre nossos suspiros, de boca em boca, de peito em peito.

Não me tragas uma luz falsa, sorriso simpático, arranca-me os restos destas colcheias e não me dês ritmo! Deixa-me que todo este compasso seja as pausas de meus dedos, no sonho que um dia nos percorreu e que agora morreu para além de nós.