
Danço... todas as noites, palavras por teus lábios.
Um tango demorado, lânguido, olhar com olhar, respiração sentida [distâncias abraçadas entre nossos peitos unidos], mão com mão [gosto-te minha, pouco a pouco, o muito em nada].
Não tenho melodias, as pautas são demasia em minha cabeça [os sons são excesso em minha cabeça], quero o silêncio… uma dança, nossa, em silêncio, olhares cruzados, frente a frente, no chão da cozinha, janela aberta e luzes apagadas.
A rua: vazio… o vazio! Completar as luzes que entrelaçam poemas, entre nós, sem destino, a ausência de um futuro [nós: o hoje é uma eternidade!].
Tuas mãos, mornas, pequenas, em minha face.
[Beijar o espaço que separa nossos lábios, devorar a nossa forma separada, deixar que ela seja o que mais nos une, sem queixas, com desejos, com vontades… Beijo-te!]
Segura-te em meus braços, não sei como será o minuto que se segue, não me sei evitar ou desviar [sejamos choque frontal, estilhaços!].
Ouço aço e betão, janela escancarada, enquanto abres em mim um momento, sentado, a dançar sempre contigo, este tango, neste chão.
[Quero escalar teu corpo com a amplitude da minha fraqueza do não te saber distanciar.]
Dança comigo, calada, silenciosa… apenas dança comigo.
