Sábado, Dezembro 27

[un] Censored




I

[Rasgar-te as asas…!]

Acordo, dois dias, esta ideia matinal latente em todo eu, [Rasgar-te as asas…!], embriago-me até ao trabalho com Joy Division ou Tom Waits, o resto do dia é apenas um eco indesejado da soma dessas letras.

Noite: não que a deseje ou a receie, mas estas palavras não são amigas, não são confortáveis, não são poetas, não são suspiros ou desabafos… Necessidade, necessidade desconhecida.

Chego sempre a casa com um cigarro por acender, o isqueiro apenas funciona quando destravo meu mundo. Brindo-me com Antony and the Johnsons, um copo de Old e uma folha em branco.


II

Sai da cidade onde me habito, vim por uns dias para a cidade onde me sou estrangeiro.

Bailam em meus pés os lábios de uma brisa fria, saboreando no escuro pedaços de jornais velhos e poeiras, sou iluminado por estrelas amareladas e metálicas alinhadas de uma forma militar.

Preencho-me de memórias – tua boca e as lágrimas que eu teimava em beber de teu corpo – não vejo, não ouço, não sinto ninguém, esta cidade é uma forma invisível, dou minha mão ao nada, que me senta num banco de jardim vermelho, abraçando-me, muito, como uma criança perdida.

Cair: das mãos, a solidão que me arrasta os pés e os dedos, o som que me embala nas letras de um céu absorvido por nuvens sisudas.

Por vezes Perseguir e Sonhar são conceitos adicionais, ou Sonhar e Perseguir [ ]

[ ] persigo o dia em que sonho que todas as palavras serão formas mestras em tuas mãos.


III


És efeito e consequência de uma guerra de silêncios


< Tenho teu pálido gosto por meus lábios >, acendo um cigarro.

< O trago de tua pele deitada em minhas mãos >, queimo esfomeado o cigarro, levo um copo a minha boca.

< Confessas teus pecados a meu ouvido enquanto me dás a beber teu suor >, abro janelas, respiro este ar que me dilacera os pulmões.

< Lamber teus olhos >, chega-me, música, mais alta! ~


IV


[
Neste escuro, eu e tu, o mundo não é chamado aqui, só eu e tu.
Pressiona teus dedos contra meus lábios, quero sentir o sabor salino… um pouco mais forte, sabes como eu gosto.
Sente-me, quero palavras. Não, não as fales, escreve-as antes em meu peito com tua língua.
Não te serei sexo hoje, serei copo de vidro bruto.

Bebe-me, bebe-me muito Meu Amor.
]


V


Desculpa-me será suficiente?



Só te quero em mim irá chegar?



Já adormeci toda minha guerra voltas-me?


VI


[.] São dias sóbrios, por esta cidade onde me sou estrangeiro. Pertenço a um corpo assombrado confessando-se pecador. Escrevo as linhas que faltam, tenho a alma por gasolina e mãos por chuva. [.]


VII


Tomo a queda por charme, de braços adormecidos, medico todas as letras que somam palavras com um beijo em ti. Desenho o mundo





.

Domingo, Dezembro 21

[ ]



Anónimo disse...

Da tua voz, o tempo já vencido.
Os dedos que me vogam nos (enjeitados) cabelos e os lábios que me roçam pela boca
nesta branda tontura em nunca tê-los...


Por incompleta sempre te tive,

entre traços incandescentes de memórias distantes que nunca te souberam pele.

Deixo as palavras te beijarem as mãos, descosidas de ti.


Meu amor! (sabe tão bem enfatizar!) Que quartos na memória não ocupamos nós se não partimos?!...
Mas porque assim te invento e já te (me) troco as horas.
Vou passando dos teus braços que não sei para o vácuo em que me deixas se demoras...
... Nesta mansa certeza que não vens! Nesta impetuosa incerteza se (não) vou.


Recordo o trago de tua voz

[o aroma que adormeceu minhas paredes entre sorrisos audíveis]

tempos que ocupavas as páginas, nuas de ti.

Tenho por teus lábios letras e compassos,

Os sons que habitam o ruído exterior de um e outro avião que rasga o céu em néon,

Não me sei se não me ficar [ ]

[ ] não me sei se não me calar.


Danço, no abraço da noite, toda a solidão de nunca te [ser] vertigem,

tocam-me as letras que sempre foram forma por teu olhar.


O silêncio é todo um refúgio dormente para um sentir dorido

em um jardim de palavras, [que sempre será], soma de nós.



[Obrigado...]

[City] Lights


Tenho-te por um imenso silêncio que deitas a dormir por entre meus lábios, mudas são todas as palavras que tento dizer enquanto prendo meus olhos nos fios de teus cabelos.

Tu: que me escapas, que me ocupas as mãos por memórias e levas-me a passear por entre os sótãos de casas que nunca ocupamos em corpo subindo até estradas de luzes incandescentes e pedes-me p’ra te morder lentamente todas as partes que te constituem corpo.


Apaga as luzes,


vamos lá p’ra fora,


sejamos gume no

suicídio desta saudade

.