Segunda-feira, Abril 27

Sakura


Insisto em te encontrar onde não és casa.

São paredes nuas e brancas que me prendem a carne.


- Seremos apenas jogos de palavras?



[ . ]

Quarta-feira, Abril 22

Bullet with Blind Wings




[
Roads ]


Corpo em palavras.


- Um dia escreves um livro p'ra.


Materializado.


[ I Fell In Love With a Dead Boy ]

Uma mão dada com letras sublinhadas entre sons cadentes: chovem formas invisíveis de olhares, dividimos a mesma tela azulada em vistas diferentes a distância é momento curto entre tanta divisão brota pelas paredes um sorriso em surdina.

- Que olhas quando somas estas palavras?

Deito meu peito e meus braços e todo o resto de mim no morno de uma vela terminada: desconheço as ruas que moram no limiar de meus traços.

Mil estrelas em teu colo, tantas outras que desconheço.

Toda a folha tem a sua idade, toda a folha tem o seu santuário: braços abertos, deslizam partes de teu cabelo entre este tricot.



[ Orange Marmalade ]

Visto-te por pecado, sei desabotoar a imagem de teu olhar e ficar em mãos com letras esfomeadas.
Adormecem, dias por meu corpo assombrado: fico-me entre o verde dos ramos que beija meu olhar.


- a minha pontaria sempre foi péssima: perdoa-me querer ser tiro à queima-roupa em tua boca -


[ palavras são formas e segredos de tudo que não serei capaz de te dizer mudo de mim ]


Nestas noites pálidas, asas em papel!



[ Rented Rooms ]

Dá-me tua boca.
Encosto teus lábios húmidos a este céu papel enquanto agrafo fragmentos de marés no aroma vivo da noite.

Abraço a fome de tua escassa pele entre a pontos dos meus dedos, dedilhar esta brisa, escondo-me, tal puto, atrás da saia do olhar lento de tua varanda.
Assalto a calma de um precoce Luar: a delicada postura das formas escritas que por vezes

__________________________________________________________[re]

leio.

[Em câmara lenta] a espera, um beijo de face rosada.




- Perdoa-me as mãos.

Desenha-me o imenso de uma linha, em implosão, sentida tardiamente por saliva.



[ Inside a Boy ]

É um vale de paredes febril que habito nas circunstâncias de meu corpo.
Beijo o telhado da rua, entre néones cegos. Estendo teus cabelos, fios desta pequena manta que cobre minhas palavras. Tua pele neve desvanece na penumbra morna desta água que ameaça banhar meus lábios.

Troco letras pelo som de teu sorriso frágil.

Fricção colapso de dois corpos mudos na ponta de uma caneta.

Olha para a minha janela, és Menina de parapeito e olhos de vidro.



[ The Dead Flag Blues ]

Ardem palavras dormentes por teus dedos.
Encontro-te em paredes de firmamentos voláteis: respirar estrelas cadentes de mãos dadas com brisas citadinas.
Beijo o suor da noite entre velas e incensos, o teu cheiro. O pó que baila sorridente em olhares de Inverno.

Queimam letras: fogo claro, fogo escuro.

Suspiro teus fios de voz.



[ Beautiful Boys ]

Olhar o eco entre um luar recatado.

Uma estrela que amacia a mão.



[ Sleeping Pills ]

Entrelaça-me no sono dos dias, mantas de paladar cristal.
Vou consumindo o eco de teu corpo, nas letras que és maresia. Abre-me teus lábios húmidos nos espaços invisíveis destes horizontes.
A tinta que mancha meus olhos, sons urbanos de luzes amareladas no veludo de teu braço.



[ Moonlight Sonata ]

Tenho vento em teu cabelo, a rua murmura sons cansados entre luzes. Fecho-me em espaços enquanto minhas unhas tocam levemente tua barriga.
Bebo teu olhar.
Leva-me até tua boca entre ruídos zinco.
Balanço-me por tuas formas distantes.
Por minhas mãos tomo letras como noites adormecidas em tuas unhas.

Beijo...
.....................demoradamente, o centro de tuas costas.



[ Cars ]

Sal por palavras dormentes a areia vaga por entre meus pés enquanto a sombra queima estrelas azuis. A noite bebe de meus lábios, mãos coladas a meu peito nu, num suspiro escondido no cheiro transpirado por estas árvores.

Por vezes o caos é uma forma cavalheira de letras.

Deito-me com o cheiro a luar por entre tuas unhas, não te sei o paladar, entreabro teus cabelos e teu sorriso, cobertos de mim.

.............................- Beijo-te?



[ Blaise Bailey Finnegan ]

Ouço mãos em diálogo pelos olhos rasgados de uma noite.

..........- Fala-me em silêncio, não nos iremos acordar.

O Luar junta sua pele com janelas cintilantes, suam frases e fissuras latentes:
onde existes é onde não te sei.

Bebo cores que tingem os contornos das madrugadas nómadas que sorris.

A silhueta de uma música por teus cabelos dedilhados.



[ Breathless ]

Amordaço folhas pela bainha de tuas mãos: sílabas caídas por sorrisos em metal.
Mordo lentamente a anatomia deste som, uma queda de asas algemadas, enterrando meus olhos sobre um momento emnbriagado.

Desconheço a procura por palavras aguçadas, tendo a encontrar reticências espaladas no caos.
Passeio-me pela noite: a rua brinda-me com luzes mudas, pé ante pé, e um firmamento cristal.

Pergunto-me, quantas formas latente esconde o cheiro de teu acordar?



[ Why She Swallows Bullets and Stones ]

abotoar teus lábios transparente pelo morno da noite.

As poeiras abraçam em queda os minutos entrelaçados por sons anémicos e todo este deserto cimento morde num compasso lento as mãos de um sonho adormecido.

Vontade embebida em néones, de ver palavras ardidas em cinzas nos fios de teus unhas.







[ c ]